"As folhas secas que se espalham pelo chão não me trazem a lembrança de algo triste ou até mesmo melancólico. Não me causa nostalgia, nem me desanima.
O vento que as levam para lá e para cá cria uma sincronia inesperada e sem saberem, juntas, as folhas secas dançam a dança da inocência; não porque querem, mas porque sentem a brisa batendo em suas extremidades produzindo subjetivamente uma sensação de descontrole interno.
Sinto-me preso em um presente onde não posso controla-lo. É como se eu fosse uma dessas folhas que estão a correr pelo chão do pátio e repentinamente sendo levado para um destino incerto e duvidoso.
Estou cansado dessa rotina, estou cansado de ser levado pelo vento, por ser obrigado a viver o presente que não quero.
Gostaria de viver a minha vida, de descobrir outras árvores, outros jardins. Gostaria de aprender, de seguir o meu destino. Gostaria de poder encontrar o meu futuro, um futuro em um jardim muito lindo, cheio de flores e lindas plantas.
Me vejo como uma folha verdinha e nova, mas de tanto ser manipulado pelo vento, vou acabar ficando velho demais e não vou descobrir novos mundos.
A sensação de sentir todo esse misto de medos nunca antes entendidos por mim, faz querer que meu fuja, desesperado, em busca um lugar onde posso me sentir confortável, porém, isso já não está mais acessível para mim e devo continuar seguindo o que as circunstâncias me proporcionou e de alguma forma adaptar-me para que não me machuque; assim como as folhas fazem com o vento.
Caio em mim.
Percebo que as folhas não são as únicas que permitem-se levar em questão de seus sentimentos, e que elas sim, por mais secas, frias e velhas, não se privam de sentir e expor seus sentimentos, mesmo não sabendo onde este detalhe possa levá-las.
A vida nos oferece todas estas circunstâncias e infelizmente não podemos dizer não ao que nos é proporcionado. A única forma de transformar esta situação em algo bom, como uma dança, é agir conforme o ritmo da vida e assim moldá-la novamente para que tudo seja corrigido."




