Fire and Ice

Fire and Ice
Unknown

Monday, January 13, 2014

A Verdadeira Mentira

           É um tanto triste quanto enlouquecedor o fato de que não se existe mais a verdade no olhar das pessoas, quando estas dizem algumas palavras que deveriam ter um significado de real importância ou consideração, ou até mesmo, respeito.
           Estamos neste mundo há muitos, muitos anos mesmo e durante todo esse tempo, vivemos várias vezes, morremos, vivemos e morremos todos os dias, e nesta eterna mutação nosso ser absorve e abandona vários sentimentos e conceitos.
           Mas e aqueles que são realmente primordiais e verdadeiros? Para onde foram? Simplesmente sumiram devido a fatos que se desenrolaram com o passar do tempo e de experiências mal sucedidas...
           Hoje, as pessoas já não sabem mais o valor de um abraço, de um beijo, de um olhar, de um aperto de mão, de um simples bom dia, de um obrigado ou simplesmente de um olhar. É como se as pessoas tivessem se fechado para tudo o que é verdadeiro e fino, que é puro e inigualável.
           Digo por experiência própria. Sinto falta do meu ser que antes pedia por algo que não é comum aos olhos humanos, e então olho a mim mesmo e estou fazendo tudo o que nunca havia concordado comigo mesmo. Qual o verdadeiro sentido de um beijo? Ou de um abraço?
            Não temos noção, ou ignoramos o fato de que um beijo significa muito mais do que duas bocas e línguas se entrelaçando entre si. Um beijo, é uma união de uma alma com a outra, utilizando nosso corpo físico para unir duas almas que se amam, ou que desejam se unir em apenas uma coisa só. Porém, hoje um beijo serve como diversão momentânea, um prazer instantâneo. Não só o beijo, mas como o sexo, que deveria ser a coisa mais bonita (sim, bonita) de todo o universo; é visto como algo obsceno e indecente para a maioria das pessoas, pelo fato de como nós temos o interpretado e vivido.
             Primordialmente, esperava-se o beijo daquela pessoa com quem se tinha uma grande ligação, as duas almas tinham a vontade incontrolável de encontrar-se em um beijo, porém, esperava que o momento exato chegasse para que tal acontecimento tão bonito acontecesse. E então, quando acontecia, era como se não houvesse sensação melhor, e as duas almas se satisfaziam e se alimentavam com o sabor daquele beijo que fora tão esperado. Então, o próximo passo, seria deixar seus instintos humanos tomarem conta de suas almas e desligassem-se da realidade, unindo-se em apenas um ser, a sensação seria como se estivessem de volta ao paraíso, de volta às origens de tudo, inclusive de si mesmo. Seria algo que funcionaria em perfeita sincronia, como uma dança. Dois corpos que seguem a mesma canção e oferecem para suas almas e coração o deleite do prazer.
             E então, tudo é corrompido depois de tempos, pensamentos que infelizmente acabam influenciando na natureza animal do ser humano o fazem cometer erros que seriam impossíveis de apagar.
             É onde acontece a quebra de tudo o que fora primordial e belo.
             Depois de tanto sofrer, a alma humana não quer mais passar por tudo o que já passara, então simplesmente se fecha e desiste de que um dia aquele sentimento que antes fora real e belo exista. Começa a viver uma vida onde aquela sensação de estar no paraíso começa a ser forjada e forçada, mas não cai em si de que tudo aquilo é apenas uma perca de tempo pois o que deveria ser real está simplesmente sendo forçado por si mesmo.
              E se arrepende de ter se esquecido e de ter renunciado todos os seus sentimentos mais puros e primordiais, e quando vê, já é tarde demais para retornar a tal estado de vida perfeita. E seu corpo por estar viciado em tais prazeres instantâneos não consegue se reeducar e voltar a ser límpido e claro como antes. Seu ser está corrompido e escuro, negro de sentimentos.
              Mas tudo é possível neste mundo e acredito que ainda exista esse sentimento primordial, pode ser que não voltemos a senti-lo nesta vida, mas quem sabe na próxima, ou na próxima da próxima.. Não sabemos. Na verdade, não sabemos de nada, e mesmo assim, temos esperança. Isso é primordial.
         

Friday, January 10, 2014

   "Lua de prata no céu,
    O brilho das estrelas no chão,
    Tenho certeza que não sonhava,
    A noite linda continuava,
    E a voz tão doce que me falava:
    'O mundo pertence à nós.' [...]"

   "Você era tudo, tudo o que eu queria
     Nós pensamos ser, supusemos ser, mas nós perdemos
     Todas as nossas lembranças tão próximas de mim, simplesmente desapareceram
     Todo esse tempo você estava fingindo, 
     Fingindo demais para o meu final feliz. [...]"
       Alguns pensam que vivem a vida, mas na verdade, é ela quem nos vive... O destino é uma coisa que não pode ser premeditada e sendo assim, ele simplesmente decide fazer as coisas da forma como acha melhor. 

Teoria do Chaos de merda.

Thursday, January 9, 2014

A breve história de Steve

           
                Trancafiado em seu quarto por ele mesmo, Steve não queria nada mais que perder-se em seus pensamentos e deixar que sua mão trêmula e fraca escrevesse naquelas linhas negras que cobriam o branco do papel. Tinha em sua mesa uma taça de vinho tinto e um cinzeiro, transbordando cinzas dos cigarros que fumara durante o passar do dia.
                Considerava um método para distrair-se das coisas que lhe faziam mal. Não só o cigarro mas também a bebida e a automutilação.
                Steve não sentia mais dor em seu corpo físico, mas seu corpo espiritual sentia-se cansado e suplicava por água ou algo que lhe fizesse sentir vivo novamente. Na verdade, Steve sabia o que lhe faria mal ou bem, mas simplesmente preferiu ignorar o fato de saber sempre das coisas e apenas queria fixar seus pensamentos naquelas linhas que se pareciam mais como estradas que seguiria até o fim, para descobrir o que se encontra no fim de tudo.
                 Sua cura era simplesmente perder-se em seus pensamentos, ir longe, bem longe, onde ninguém jamais fora. Queria descobrir algo que ninguém nunca tivera coragem de descobrir ou ver. Gostaria de despertar medo em si mesmo, ou, alegria, quem sabe. Porém, em vão.
                 Seu reflexo: nulo, seu toque - antes amistoso e sedoso - era frio e rígido, não havia mais sentimento nem mesmo em seus versos, que ao fim, sempre terminavam sem respostas e sem sentido.
                 Steve já estava quase acabado, não fosse pelos seus versos codificados e sem valor, vinho e o cigarro, Steve já teria conhecido o paraíso, ou o inferno.
                 Questionava-se sobre o que as coisas que as pessoas mais amam.Gostaria de puder elucidar olhares.
                 Steve não se sentia mais sozinho, havia suas companhias, e suas companheiras.
                 O ser humano desabita Steve nesse momento e Steve simplesmente desabita o que é humano.
                 A música que entra em seus ouvidos soa como a sinfonia que toca para a bailarina dançar, condena-o em uma dança onde não consegue dominar nem colocar um fim.
                 A ponta de sua caneta desliza sem parar, seus ossos doem mas as palavras fixadas em cada linha é mais importante do que isso, afinal, tudo é insignificante para ele agora.
                 Steve está em completo transe e isso lhe alimenta e lhe faz bem, se sente seguro assim.
                 Steve nunca esteve melhor.